Música

Silva apresenta Rolidei, um álbum para ouvir como quem abre o dia diante do mar

Ouvir Rolidei é como entrar em um dia de sol sem pressa. Há algo nas canções que lembra o momento em que uma viagem começa: o carro na estrada, amigos reunidos, o sal no ar antes mesmo de se ver o mar. O novo álbum de Silva, que chega às plataformas no dia 8 de abril, à 00h, nasce justamente dessa sensação, a de quando uma missão termina e o corpo finalmente encontra descanso. Depois de um período intenso de trabalho e estrada, o artista quis criar um disco que traduzisse esse estado raro de espírito: o instante em que se fecha um ciclo e a vida volta a respirar mais devagar. “Eu queria fazer um disco que tivesse essa sensação de quando você termina uma missão, entra no carro e vai para a praia. Essa sensação de recompensa, de descanso depois de ter entregado um trabalho”, conta Silva.

A partir desse impulso quase físico de liberdade, Rolidei foi se desenhando como um álbum solar, marítimo e profundamente brasileiro — atmosfera que também atravessa “Sudamérica”, faixa foco do projeto. Musicalmente, Silva decidiu se afastar de estruturas mais complexas para abraçar uma simplicidade deliberada: muitas das canções nascem de poucos acordes, criando melodias diretas, orgânicas e luminosas. A escolha também dialoga com um desejo antigo do artista de provocar, na própria música, imagens muito claras de paisagem e atmosfera, como a rede no fim da tarde, a brisa salgada, o horizonte aberto do litoral. Uma inspiração importante nesse processo foi a obra de João Donato, cuja música, para Silva, sempre teve o poder de transportar o ouvinte para um estado de espírito específico. “Quando eu ouço Donato, já está tudo ali. A música dele tem cara de rede no fim da tarde, aquela brisa da praia. Eu quis tentar provocar essa sensação também.”

Esse imaginário marítimo não aparece apenas como metáfora sonora. Silva se reconhece como um artista profundamente ligado ao litoral, tanto na paisagem que atravessa sua música quanto na própria geografia de sua carreira. Seus verões são marcados por apresentações em cidades costeiras e regiões onde o mar funciona como cenário e ritmo de vida. Esse universo também dialoga com referências importantes para o cantor, como Lulu Santos, a quem ele define como “o rei das baladas litorâneas”. Não por acaso, Rolidei nasce com a intenção clara de ser um disco que acompanha deslocamentos e encontros, uma trilha sonora para viagens, feriados e dias de praia.

Ao mesmo tempo, o álbum carrega uma camada mais profunda de reflexão. Em um mundo atravessado por excesso de informação e crises constantes, Silva vê na alegria um gesto de resistência. Para ele, criar músicas luminosas não significa negar a realidade, mas propor uma forma de atravessá-la com mais humanidade. “A alegria é resistência. Ela leva a gente a lugares onde a tristeza nunca levaria”, afirma. Essa perspectiva aparece no disco como uma escolha artística consciente: em vez de insistir na melancolia, o artista prefere cultivar uma leveza que também pode ser política.

O título Rolidei sintetiza esse espírito. Inspirado na forma abrasileirada da palavra “holiday”, o nome brinca com a mistura de idiomas que atravessa o cotidiano e aponta para a ideia de descanso, deslocamento e celebração. A referência também ecoa o universo do filme Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues, em que uma caravana de artistas percorre o país levando espetáculo e imaginação por diferentes paisagens. A imagem dialoga diretamente com a própria trajetória de Silva, um músico que encontra no palco e na estrada a essência de seu ofício. “Eu sempre quis ser músico que pega estrada e faz show. Se a música encontrou as pessoas e virou carreira, isso para mim é uma grande sorte.”

A criação do álbum também marca um momento particular na trajetória do artista. Próximo de completar quinze anos de carreira, Silva sente que alcançou uma clareza maior sobre quem é artisticamente. Depois de explorar caminhos diversos em sua discografia, ele reconhece que construiu uma identidade sonora própria, algo que hoje o público identifica com facilidade. Essa maturidade se reflete também em escolhas de vida: mesmo com uma carreira consolidada, Silva continua vivendo em Vitória, no Espírito Santo, cercado pela família e pela paisagem que moldou sua sensibilidade.

Pensado quase como uma narrativa sonora, Rolidei também foi organizado para acompanhar o ritmo de um dia inteiro. As primeiras faixas surgem mais solares e abertas, enquanto o final do disco se aproxima de uma atmosfera mais íntima, como o momento em que o sol desaparece no horizonte e a música se reduz a voz e violão. A ideia é que o álbum funcione como companhia ao longo do tempo, da manhã luminosa ao crepúsculo contemplativo.

No fundo, Rolidei é um disco sobre aquilo que permanece depois da estrada: o prazer de estar vivo, a alegria de compartilhar momentos simples e a sensação de que, às vezes, felicidade também é simplesmente chegar ao mar.

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