Após denúncia, 12 policiais são afastados
Operação da Corregedoria-Geral da PM e Gaec do Paraná cumpriu 28 mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (16); ao todo, 42 agentes são investigados; denúncia foi feita pelo deputado federal eleito Renato Freitas
Doze policiais militares do Paraná foram afastados dos serviços operacionais em uma operação da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e Gaeco sexta-feira, 16. A ação investiga agentes suspeitos de envolvimento em um grupo que comercializava vídeos de tortura, abuso de autoridade e violência policial no Telegram. A operação cumpriu 28 mandados de busca e apreensão e resultou em três prisões em flagrante.
A investigação ocorre após a denúncia apresentada, em junho deste ano, pelo deputado estadual Renato Freitas (PT), que divulgou o caso nas redes sociais e enviou ofícios ao Gaeco.
Na denúncia, o parlamentar levou às autoridades informações sobre a comercialização dos conteúdos criminosos e relatou sobre o funcionamento do grupo. Ao todo, 42 agentes são investigados. Entre os alvos, está um oficial da polícia que foi afastado, enquanto o administrador civil do grupo foi preso.
Antes do caso ganhar repercussão na imprensa local e nacional, o administrador do perfil ainda fez publicações em tom de ameaça e deboche ao parlamentar. O adm republicou o vídeo de Renato nos stories do Instagram seguido da foto de um fuzil.
À época, o secretário de Segurança Pública do Paraná, coronel Hudson Teixeira, questionou a autenticidade das imagens divulgadas e afirmou que ainda seria necessário verificar se os vídeos não haviam sido produzidos com inteligência artificial.
Relembre o caso – As imagens de barbárie e tortura integravam um catálogo de vídeos e fotografias comercializados em um grupo privado no Telegram. Por R$ 20 mensais, assinantes recebiam continuamente conteúdos violentos e criminosos produzidos em ações policiais no Paraná e outros estados.
Segundo os próprios dados divulgados pelos administradores do canal, o grupo chegou a reunir mais de cem assinantes, com uma arrecadação de R$ 2 mil por mês.
O perfil investigado no Instagram surgiu em setembro de 2025, inicialmente com publicações voltadas à exaltação da atividade policial. Entre novembro e dezembro daquele ano, o conteúdo passou a destacar cenas de brutalidade policial. A página funcionava como vitrine para atrair seguidores, enquanto vídeos mais explícitos circulavam no Telegram.
Em algumas publicações, os agentes faziam referências nazistas, usando a bandeira da alemanha, e emoji branco e loiro com a mão estendida (fazendo referência a uma saudação nazista). Outro post mostra uma sequência de fotografias de armamentos intercaladas com imagens de pessoas aparentemente mortas ou gravemente ferida. Na legenda a frase: “Aqui é o Sul”.



