Tetraplégico, artista de Sarandi expõe arte local no exterior

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Jovem, aos 19 anos, Marcio Nalon perdeu o movimento das pernas ao cair numa piscina, no dia de Natal em 1998.
A data marcou; ele ficou tetraplégico. Mas, foi só após o acidente que o sarandiense de 37 anos conheceu um novo mundo: o da arte.
Marcio nasceu em Maringá, e estava na casa de uma amiga quando se acidentou. O trauma nas pernas o levou à aposentadoria por invalidez. O auge da juventude acalmou, e ele se viu diante da depressão. Passou a pintar para ocupar a mente.
Se não fosse pelo acidente, eu não estaria nesse mundo (da arte). Nem ligava pra arte. Não consegui ficar parado, aí comecei a pintar,” contou o artista ao jornalista Angelo Miloch do site Sarandi.com
Sem habilidade nas pernas, o artista desenvolveu talento nas mãos. No início, tomou aulas com uma amiga, duas horas por dia. Hoje, busca reforço no YouTube. No decorrer de 20 anos, aprendeu técnicas de pintura espatulada, a óleo e expressionista.

Mundo
Apesar de ter nascido na Cidade Canção, Marcio disse “ter orgulho” de ser sarandiense, já que mora em Sarandi há mais de 20 anos. É aqui que ele paga o aluguel, com o dinheiro das telas e da aposentadoria.
O amor que tem pela cidade é transferido para as telas, que agora ganharam o mundo. Marcio enviou duas obras ao XXI Circuito Internacional de Arte Brasileira. O evento passará por Sofia, na Bulgária, Oslo, na Noruega e Santo Domingo, República Dominicana, entre os dias 2 e 24 de setembro. Esse circuito reúne artistas brasileiros que tem oportunidade de representar a sua obra e cidade pelo mundo. “Eu e mais quatro artistas do Paraná conseguimos entrar neste ano. Por eu ser tetraplégico, fiquei muito feliz,” destaca orgulhoso Marcio.
Sem apoio, Marcio gastou R$ 2,3 mil para levar a arte sarandiense para fora do Brasil. Pelo valor, ele terá direito a 30 catálogos, que irão compor o portfólio do artista. O Circuito não premia os expositores.
Não tem premiação, mas recebo diploma e carta de recomendações de cada país exposto. Não quero dinheiro, nada disso. Mas, sim, provar que nossa Sarandi tem artistas ótimos“.