Fisioterapeuta do HU é indiciada por injúria racial

informações Maringá Post;
O delegado da Polícia Civil de Maringá, André de Oliveira, concluiu o inquérito sobre o suposto crime de racismo que teria sido praticado pela fisioterapeuta Luciane Angélica Guimarães contra dois irmãos afrodescendentes, o psicólogo Nilson Lucas Dias Gabriel, 26 anos, e sua irmã, 18.
A investigada foi indiciada pelo delegado por indícios de injúria racial, crime passível de 1 a 3 anos de reclusão e pagamento de multa. Mesmo intimada, Luciane havia deixado de comparecer à delegacia, mas foi ouvida nesta segunda-feira (17), acompanhada por um advogado.

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que tem três opções: arquivar, solicitar investigações complementares ou propor uma ação penal. Em 15 dias, a promotoria deverá apresentar uma definição. Uma fita na qual a indiciada chama os irmãos de “macacos” faz parte do inquérito.
O delegado André de Oliveira disse que a investigação corre sob sigilo e que ouviu a suspeita e testemunhas, mas não revelou os conteúdos. Os fatos se tornaram públicos em 12 de agosto, quando a Universidade Estadual de Maringá emitiu uma nota em repúdio aos supostos atos de racismo.

Na sexta-feira anterior (10/8), a instituição já havia descredenciado Luciane como prestadora de serviços do Hospital Universitário da UEM. Lucas Gabriel é mestrando na universidade e os três envolvidos, os irmãos e a fisioterapeuta, residem no Residencial Iguaçu II, no Parque Cidade Nova.

Tudo começou por causa das bikes de Lucas e da irmã, que por mais de uma vez teriam sido estacionadas ocupando parte da garagem da fisioterapeuta. No primeiro sábado de agosto, dia 3, os irmãos chegavam da feira quando ouviram gritos de Luciane na portaria do prédio.
Lucas gravou a conversa, na qual a fisioterapeuta diz ao porteiro que queria “pegar este preto dorminhoco, folgado, que não trabalha e fica atrás de Bolsa Família. Que vontade de chamar ele de preto, de raça de macaco”. Depois que o caso ganhou espaço na mídia, a fisioterapeuta procurou os irmãos.

A última vez ocorreu na semana passada, quando Luciane bateu na porta do apartamento de Lucas. Ele contou que pelo “olho mágico” não viu ninguém e não abriu a porta. Depois checou com a portaria para saber quem era e foi informado se tratar da fisioterapeuta, que foi filmada pelas câmeras.
Antes disso, segundo Lucas, a indiciada já havia ligado durante uma madrugada pelo interfone e feito ameaças aos dois irmãos. Os fatos, inclusive o da semana passada, foram registrados em Boletins de Ocorrências. (Walter Tele)