Família Barros: o perigo da demagogia

Mesmo com o apoio do atual Ministro da Saúde, da vice-governadora do Paraná e do prefeito Carlos Roberto Pupin, Silvio perdeu de virada em Maringá

A governadora-candidata Cida Borghetti distribui recurso público com carimbo e sem carimbo. Alguns repasses são constitucionais e obrigatórios; outros são voluntários. Mas na propaganda parece que tudo é resultado da competência do governo que equilibrou as contas e agora pode fazer, principalmente, a alegria dos sempre pedintes prefeitos paranaenses.

A fórmula é antiga. O antecessor, Beto Richa, fazia isso toda hora. Trazia do interior uma multidão de prefeitos para receber chequinhos com repasses obrigatórios de ICMS, IPVA e verbas de convênios federais que não pagavam a despesa da viagem deles, que geralmente vinham acompanhados de assessores, vereadores, cabos eleitorais, gastando com carro oficial motorista, hotel, diárias… Era mais fácil Beto Richa mandar fazer uma TED, mas aí não dava discurso, fotos de gente aplaudindo no saguão do Palácio e matérias para a imprensa. Fingia benevolência para colher frutos eleitoreiros.

A farra da propaganda com dinheiro público carimbado, num primeiro momento, prejudica apenas os concorrentes da governadora na disputa pelo Palácio Iguaçu. É imoral , mas legal.

O sinal vermelho sobre o equilíbrio das finanças estaduais, no entanto, acendeu nesta semana, quando a governadora-candidata aventou a possibilidade de reajustar o salário do funcionalismo, represado há dois anos graças aos pacotes aprovados pela Assembleia.

Os paranaenses pagaram caro, e do próprio bolso, os ajustes fiscais que o ex-governador Beto Richa impôs ao estado nos últimos 3 anos. A “austeridade” aumentou impostos de produtos básicos, congelou salários e antecipou receita que pertenceria aos governadores seguintes. O alto custo do arrojo não foi do ex-governador, nem da sua vice, mas de todos nós.

Agradar a massa de funcionários públicos do estado é uma tentação sempre presente no coração de todo governante: recebe de volta a gratidão eterna dos beneficiados e de suas famílias e coloca seus adversários na triste condição de ter que concordar. Tanto assim que o candidato Ratinho Jr, do plenário da Assembleia Legislativa, já se posicionou a favor do reajuste atual, depois de ter defendido publicamente, e com veemência, como integrante do primeiro time do governador Beto Richa, o congelamento dos salários em nome do equilíbrio das contas do Paraná. É atitude inflada de demagogia e perigosa, porque feita com um olho na urna e outro no voto.

O ex-senador Osmar Dias, mais sensato, defende que os funcionários públicos tenham reajuste , mas sob o único critério da capacidade do caixa.

Vivemos, portanto, numa vereda em que a família Barros promove para inflar a candidatura de Cida Borghetti, mas que pode atingir em cheio a gestão do próximo governo, seja ele quem for. E aí vamos ouvir a eterna ladainha sobre a herança maldita do antecessor. Vai doer no bolso, claro. No nosso. (por Ruth Bolognese)