Esquema ilegal em frigoríficos ajudava campanhas do PMDB e PP

foto/Bruno Santos Folhapress

Empresas de agronegócio investigadas na Operação Carne Fraca auxiliavam em campanhas políticas de partidos como o PMDB e o PP, de acordo com o superintendente regional da Polícia Federal, Maurício Moscardi Grillo.
Parte da propina paga pelas empresas para o Ministério da Agricultura para fazer “vista grossa” as irregularidades dos produtos era revertido para os partidos políticos. Ainda não há estimativa do valor repassado e outras siglas podem estar envolvidas nos esquemas.
Os empresários são acusados por lavagem de dinheiro e corrupção e, ainda de acordo com a PF tinham bens registrados em nome de terceiros. “Parte desde o fiscal até o responsável pelo ministério. Existia uma “força” para retirar os fiscais honestos do trabalho nessas empresas”, disse o superintendente. Em troca de propina, os fiscais deixavam passar carnes podres, com data de vencimento adulterada e com bactérias.

Alimentos sem condições de consumo
Entre os crimes identificados na operação, estão re-embalagem de produtos vencidos; excesso de água; inobservância da temperatura adequada das câmaras frigoríficas; assinaturas de certificados para exportação fora da sede da empresa e do Mapa, sem checagem in loco; venda de carne imprópria para o consumo humano; uso de produtos cancerígenos em doses altas para ocultar as características que impediriam o consumo pelo consumidor. Segundo a PF, todas as 40 empresas investigadas tinham alguma irregularidade.
Segundo o superintendente da PF, um dos empresários chegou a negociar autorização para abrir um abatedouro de cavalos para venda da carne no Paraná. A propina prevista era de R$ 300 mil.
Frangos abatidos em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, também estavam contaminados com a bactéria Salmonela, de acordo com a análise, e eram encaminhados para merenda escolar em Curitiba. Também havia adulteração em suplementos de proteína que deveriam ser adicionados à carne e que eram trocados por versões mais baratas, que não tinham o mesmo efeito benéfico, segundo a PF. Carnes infectadas também foram destinadas à exportação.
As ordens judiciais foram expedidas pela 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba e estão sendo cumpridas em sete estados: São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás. (leia mais)