Amsterdã proíbe tours guiados no Bairro da Luz Vermelha

Medida visa proteger profissionais do sexo que trabalham na região. Em combate ao turismo de massa, cidade limita ainda a 15 pessoas o tamanho de grupos de passeios guiados no centro histórico. Bairro da Luz Vermelha é uma das principais atrações turísticas de Amsterdã
DW/Felix Schlagwein
Em mais uma nova medida para combater o turismo de massa, a prefeitura de Amsterdã anunciou nesta quarta-feira (20) que proibirá os tours guiados no Bairro da Luz Vermelha para promover o respeito a prostitutas que trabalham na região e por fim a problemas causados por turistas.
“Chegou a hora de parar de ver prostitutas como uma atração turística”, afirmou o vereador Udo Kock, que anunciou as novas medidas para “limpar” o famoso bairro. O político afirmou que turistas costumam ser inconvenientes, fazer muito barulho e jogar lixo no chão nas ruas da região.
Além deste banimento, a prefeitura restringiu a no máximo 15 pessoas o tamanho de grupos em passeios guiados no centro histórico e proibiu tours na região depois das 19 horas, incluindo fins de semana. Turistas terão ainda que pagar uma taxa de entretenimento. Essas medidas entram em vigor a partir de 1º de janeiro do ano que vem.
De acordo com a prefeitura, atualmente cerca de dez grupos guiados passam por hora na Oudekerksplein, o coração do Bairro da Luz Vermelha. Em horários de pico, esse número pode chegar a 48.
O Bairro da Luz Vermelha é uma das principais atrações turísticas da cidade holandesa. Desde o século 17, profissionais do sexo oferecem em vitrines seu serviço a clientes. Em 1911, a atividade foi legalizada.
Essa não é a primeira vez que Amsterdã impõe restrições a turistas na região. O fechamento de ruas em algumas noites já havia sido determinado para aliviar a saturação e limpar a área.
Desde 2017, a cidade promove uma verdadeira batalha contra o turismo de massa. Um relatório da prefeitura alertou que Amsterdã estava se tornando uma “selva urbana”, especialmente à noite, quando a polícia e autoridades se sentem impotentes para combater o crime e a violência.
Entre as medidas para tornar a vida novamente suportável para seus moradores estão o fim da construção de novos hotéis e lojas de suvenir, o banimento da circulação de ônibus turísticos e cruzeiros na região central, e a aplicação de multas para quem consume álcool em locais públicos, urina na rua ou joga lixo no chão.
A cidade holandesa não é a única da Europa que cansou do turismo. Veneza, Lisboa, Berlim, Madri, Barcelona e Dubrovnik também sentem os impactos da “turistificação”, ou o processo de transformação espacial e socioeconômica de regiões em detrimento do interesse turístico. A explosão dos preços dos alugueis é um dos resultados dessa mudança.