A versão de O Diário

Em editorial que toma quase meia página na capa do jornal, assinado pelo jornalista Franklin Vieira da Silva detalha a situação de O Diário do Norte do Paraná, aborda a greve de jornalistas, fala da ação de “grevistas profissionais” no movimento, reconhece pendências salariais e informa que a próxima edição circulará na terça-feira. Leia na íntegra:

O jornal O Diário reconhece que tem pendências salariais junto ao quadro geral de funcionários – inclusive os que estão em greve desde o último dia 7 -, em razão do período de dificuldade econômica que atravessa o País. Mas esclarece que não são, como apregoam os alto-falantes dos protestos paredistas, salários integrais desde outubro. Ao longo deste período, com regularidade, a empresa se preocupou em fazer repasse de parte destes vencimentos para que o grupo de trabalhadores administre sua sobrevivência básica. O balanço do porcentual pago está à disposição no departamento de Recursos Humanos. Mas não é inverdade que férias e décimo-terceiro salário de 2017 ainda não foram pagos.
Outrossim, a direção da empresa constatou que, nas manifestações realizadas em frente ao prédio do jornal e na Avenida Tiradentes, foram de um contingente onde apenas dez pessoas são funcionárias da empresa. O restante, esmagadora maioria, é composta por agentes estranhos à empresa; são grevistas profissionais de outras categorias.
A ausência de diálogo, mote dos manifestantes, se distancia da verdade. Desde novembro do ano passado, a direção tem se reunido com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná para tratar da saúde financeira da instituição. Na segunda-feira (5/2), dois dias antes do início da greve, profissionais que iniciaram o movimento foram reunidos e receberam explanações da situação da empresa. A eles foi apresentado relatório do quadro financeiro e jurídico da instituição.
Esclareceu-se que o período de sacrifícios tende a durar até a assembleia de credores da Recuperação Judicial, marcada para 20 de março. Isso acontecendo, o jornal terá fôlego para iniciar processo de restabelecimento de sua força comercial e, em consequência, atrair recursos para sanar as pendências.
Não é verdade o que ativistas de redes sociais espalham, que os empregados de O Diário estão em greve. A empresa tem sob contrato trabalhista 148 colaboradores em departamentos diversos.
Desses, apenas 13 se encontram, por opção própria, afastados das atividades. São sete repórteres, três editores, um fotógrafo, um pauteiro e um infografista. Dois estagiários que aderiram ao movimento tiveram seus contratos cancelados. Nos demais departamentos, não há um único trabalhador parado.
Também é mentira que o plano de saúde dos funcionários foi cortado. No terceiro dia de paralisação, parte dos grevistas teve um encontro, na Cúria, com o arcebispo de Maringá, dom Anuar Battisti, ocasião em que expuseram, entre outras coisas, o cancelamento do benefício.
Em seu artigo dominical, o arcebispo, inclusive, cita o corte dos planos. O Diário reitera que nenhum colaborador teve o plano de saúde suspenso.
Na Redação, trabalham normalmente para proporcionar a circulação do matutino, dois editores, dois repórteres, um editor de fotografia e três diagramadores. É pequeno o quadro, mas o empenho destes profissionais e a utilização de expedientes editoriais, como agências de notícias, assessorias e colunistas, permitem que leitores e assinantes recebam com a qualidade possível as edições diárias. E ao contrário do que grevistas propagam em redes sociais, as edições produzidas desde o dia 8 de fevereiro são, sim, legítimas. Os conteúdos utilizados são elaborados por jornalistas.
Em razão disso, neste fim de semana, o jornal chegará às bancas e aos assinantes, em uma edição conjunta, voltando a circular na terça-feira (20).
Esse grupo, que se sensibilizou com o momento de dificuldade que a empresa atravessa, solidário aos demais funcionários, paga alto preço pela iniciativa. É execrado explicitamente pelos ativistas e tem a sua dignidade atacada de forma irresponsável e covarde. Não pelos companheiros que estão grevistas, mas pelos que encorpam o movimento. Contra eles, veladas ameaças foram feitas (via redes sociais), evidenciando um quadro de preocupante terrorismo.
A administração da empresa se aplica na contratação de jornalistas para manter a circulação próxima da normalidade. Mas não tem sido tarefa fácil, já que a militância grevista atravanca a atração de profissionais. Cinco jornalistas convocados para integrar o quadro da Redação recuaram após prévio acerto admitindo forte pressão do movimento grevista.
O Diário informa que está tomando providências cabíveis junto ao Departamento Jurídico.
A empresa respeita a greve, mas espera também que os grevistas respeitem o direito dos profissionais que estão trabalhando e não aderiram à paralisação.
O Diário aproveita esta oportunidade para agradecer o apoio e a solidariedade de empresas, anunciantes, assinantes e leitores que reconhecem a trajetória e a tradição deste jornal.

Franklin Vieira da Silva
Presidente do Grupo O Diário